EM PALESTRA SOBRE PERDA E LUTO, PSICÓLOGA RESPONDE ÀS DÚVIDAS DA CARREIRA – SINPROFAZ

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4 de junho de 2021

EM PALESTRA SOBRE PERDA E LUTO, PSICÓLOGA RESPONDE ÀS DÚVIDAS DA CARREIRA


O SINPROFAZ, juntamente com o Departamento de Gestão Corporativa – DGC/PGFN, promoveu na quarta-feira (2) o webinar O Luto Importa – Aprendendo a Lidar com Perdas. Para abordar o assunto, a convidada foi Valéria Tinoco, psicóloga que há mais de 25 anos trabalha com os temas da perda, do luto e das situações de emergência. Formada pela PUC SP, ela é mestre e doutora pelo Programa de Psicologia Clínica da mesma instituição. É cofundadora, professora e supervisora do 4 Estações Instituto de Psicologia, referência brasileira no tratamento e na abordagem terapêutica do luto. No Instituto, Valéria Tinoco coordena o curso de Especialização e Aprimoramento em Intervenções Psicológicas Fundamentadas na Teoria do Apego.

Segundo a palestrante convidada, o luto é uma reação normal em face de uma perda. Não se trata, portanto, de uma doença a ser curada ou de um sinal de fraqueza. Considerando a situação de pandemia que perdura há quase um ano e meio, tem-se falado também em “luto coletivo”, informou a psicóloga. Isso porque nunca houve um cenário como este, com perdas múltiplas e consecutivas de vidas. “Podemos ampliar essas perdas levando em conta a perda do nosso ir e vir e do contato com as pessoas. Além das perdas financeiras, de saúde, de planos para o futuro. O cenário é mundialmente descrito como de trauma coletivo. Podemos esperar, nos próximos anos e nas próximas décadas, consequências deste momento sobre a saúde mental dos indivíduos.”

A vivência de uma perda e o consequente luto “desorganizam” o indivíduo. Conforme a palestrante, essa desorganização é natural e, se aceita, pode ser compreendida como um processo adaptativo: “estou desorganizado agora, mas voltarei a me organizar”. O “funcionamento” fora do habitual ocorre apenas por um determinado período, ou seja, não é permanente. “Para algumas pessoas, voltar ao trabalho rapidamente depois de uma experiência de perda pode ser importante. Para outras, o trabalho pode significar uma sobrecarga. Avaliar a situação individual sob uma perspectiva processual, considerando um dia após o outro, dá à pessoa em sofrimento uma sensação de segurança e de apoio para gerenciar a própria vida”, explicou a psicóloga.

De acordo com Valéria Tinoco, cuidadores que se ocupam durante muitos anos de um familiar ficam perdidos quando essa pessoa vem a falecer. Além da falta que sentem, levam certo tempo para se adaptar ao papel que devem desempenhar na nova conjuntura. “Quando uma pessoa já idosa perde seu companheiro ou sua companheira de vida, ela perde mais: perde o passado, o presente – considerando o cuidado diário que existia – e o futuro. Isso assusta e desorganiza”, destacou a psicóloga. Valéria Tinoco explicou que, para pessoas mais idosas em situação de perda, sentir-se fragilizado ou vulnerável pode ser muito incômodo. A manutenção, pelas famílias, da autonomia dessas pessoas é fundamental para o enfrentamento da situação, ressaltou a palestrante.

Ao responder às perguntas enviadas pelo público de PFNs e demais interessados, Valéria Tinoco explicou a melhor maneira de abordar um Colega que, apesar de enfrentar uma situação difícil, não se abre para conversar com os pares. Segundo a psicóloga, o mais importante, nesse caso, é demonstrar disponibilidade: “Se não tenho facilidade para falar sobre sentimentos, posso me disponibilizar, por exemplo, para assumir responsabilidades do Colega no trabalho. Se há mais intimidade, posso me disponibilizar para sair, tomar um café”. Conforme a palestrante, ajudar alguém em sofrimento não inclui necessariamente o incentivo para que a pessoa externalize seus sentimentos. “Há quem se sinta ainda mais fragilizado nessa situação”, destacou Valéria Tinoco.

Por fim, a psicóloga abordou o conceito de resiliência – a capacidade de superar situações adversas e de sair fortalecido delas. De acordo com Valéria Tinoco, “a resiliência não está presente ou ausente em um indivíduo: ela pode ser construída”. Ademais, depende do contexto em que é exigida: “A segurança de, em um momento de crise, ter uma resposta do ambiente – dos gestores, dos pares, da equipe de saúde mental – eleva nossa capacidade de enfrentar situações complexas. O apoio permite que nos estruturemos mais rapidamente. Por outro lado, o temor de, uma vez fragilizado, perder o posto ou a consideração dos Colegas, dificulta essa estruturação”. Daí a importância de que os comitês institucionais de apoio à saúde mental sejam de fácil acesso pela equipe.

Para assistir à palestra completa, acesse: bit.ly/OLutoImporta



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